terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Careta

Cara que dá medo Cordas para enforcar Boca cor de sangue Olhos de chorar Sou aterrorizador, tenho cara de mau, boca aberta bem vermelha e uma corda nas mãos. Uma corda cheia de nós... e posso fazer isso com a sua garganta se chegar perto porque sou muito poderoso e cruel. As luvas vieram dos meus ancestrais, os cordeiros de blocos. (mentira. É que a autora não resistiu a piada) Mas o que me chamou mais a atenção foram os olhos dele. Por trás de toda essa indumentária o real está lá. Um olhar forte, talvez triste. No carnaval vestimos máscaras para nos esconder ou tiramos as máscaras e mostramos aquele Eu abafado pelo dia a dia opressor? No carnaval os tímidos gritam, os quietos dançam, os que bebem, bebem mais e todos se fantasiam de alguma forma, nem que seja atrás de um sorriso maior e uma vontade de liberdade. Tem os que fogem, os que se escondem, os que não se assumem ou os que resolvem se assumir. Tem os que amam, os que correm, os que trabalham para a festa fluir. Mas todos em algum momento cantam de olhos fechados e braços abertos. Dentro do seu mundo meio máscara, meio mundo, meio você, meio eu, meio tudo, meio nada, em algum momento o coração acelera, a cabeça voa e as sensações se eternizam. E os olhos continuarão tristes?

domingo, 24 de janeiro de 2016

Não dê papel e caneta a uma geminiana numa lua rosa cheia

Ela é tão criativa que já conseguiu inventar até o prato preferido dele. Ela já montou na sua inspiradora cabecinha diversos diálogos com diversos desfechos, com expressões, choros, risadas, casametos, descasamentos, filhos, sogras, cunhadas, festas, montagem de AP, domingo no AP, a hora de acordar e dengar na cama, o momento do vídeo game com os amigos, o vinho, a marca do vinho na mesinha de centro, as escolhas, o cuscuz com ovo. O dele com gema dura e o dela com gema mole. Ela pensou em como seria o não inicial, a dor e imaginou também se fosse recíproco e as conseqüências disso... Ela viu eles planejando as viagens, fazendo as contas, o mercado, o jantar, o filho. Ela viu os desacertos, as birras, os silêncios. Ela visualizou até quando trouxeram um cachorrinho abandonado p casa.. e cuidaram dele p dar para alguém.. e talvez não tenham conseguido dar p alguém.. e ela viu tantos acertos e tantas possibilidades que quando percebeu que ele não estava disposto a enxergar qualquer coisa que seja, teve que dizer adeus. Adeus a ele e a todas as possibilidades.. antes que fosse tarde e criasse tanto que não fosse mais possível apagar... E agora, cata os cacos, os papeis, os diálogos, taça de vinho da cabeceira, a lata de tônica da mesa, as fotos salvas no HD, põe numa trouxinha imaginária (ela continua criativa) e se desfaz.. cada dia acha algo que tinha que ter ido na trouxinha.. então leva lá, onde deixou a trouxa. E aos poucos vai entendendo a realidade. A conversa com o taxista, o batom vermelho, o violão com os amigos, o traço piscando na tela, esperando novas construções... novas idéias... e a vida segue. E ela continua imaginando e se policiando para não pôr o personagem da trouxinha em alguma nova cena, erro de continuidade não cabe para profissionais das invenções. Em breve ela conseguirá tirá-lo totalmente do contexto e seguir se reinventando.. e talvez até se abrindo para novos personagens.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Descabidamente uma raiva me corroe, o peito aperta, o estômago grita, a voz não sai. Não há fato, há sensações abstratas e sem embasamento. O choro preso, os ombros tensos, a cabeça latejando, o amargor em tudo. Os velhos padrões, as mesmas fugas, as culpas de sempre, invadidamente triste. E por fim, a conclusão: ainda bem que a TPM vai passar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Dançar...

E dança e sente e dói e insiste e limpa e treina e persiste e tenta e remenda e ajeita e supera e sua e alonga e aquece e respira e evolui e segura no abdômen e abre costas e encaixa quadril e força e conserta braços e desce ombros e treme e pulsa e vibra e dança porque dançar nutre, porque dançar é ultrapassar limites, porque dançar é conhecer suas curvas e dialogar com elas, acordando até onde pode ir e respeitando o tempo de cada musculatura. Dançar porque se conhece mais assim, porque se comunica mais assim, porque interage lindo assim, porque desacelera para o grupo ficar coeso, porque acelera para não perder o compasso, porque é leitura de corpo, é mensagem de alma, é amor em imagem, em olhar, em dizer através do todo, do seu todo, inteireza. Porque dançar? Porque é o que posso oferecer para mim e para você. Namastê.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cada momento é um porque e para que. Vem de algo vivido e compõe o que viverá. ninguém vem e vai a toa.. ciclos se fecham.. outros de abrem.. e o tempo diz o que lhe convier.. e o que não fez sentido ontem vira solução do amanhã.. seguindo, vivemos.. e o caminho vai mostrando outras paisagens.. outros ângulos.. utras verdades...

sábado, 16 de maio de 2015

Sim... Entendo. E acolherei sempre que precisar.. Sim, estou numa fase nova de vida... A beira dos 34.. Com muitas idéias... Sentimentos antigos e novas sensações... Descobrindo que dá para ser mais... Para ser múltipla e se quiser vez em quando, ser nada também... Descobrindo que posso me cobrar menos e gozar mais...Que posso aprender muito e dividir mais ainda... Que minha essência tá sempre aqui comigo. Mesmo que por vezes esteja empoeirada ou coberta de insatisfações.. Que podemos mudar de opinião e julgar vai parecendo ridículo com o passar dos anos... Escutar Legião é eterno e almoços de 5h duram para sempre... (para uma amiga, depois de ser chamada de doula de novos processos. Gratidão)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Muitas...

Dormi comigo e acordei com várias de mim... uma gostei muito, outra estranhei, ainda teve outra que me surpreendeu, ela era incrível.. mas teve uma que me deu medo.. e agora? Como caberão todas na minha cama? Nos meus sonhos, planos, relacionamentos, vida inteira?